A Sociedade dos Jovens

A Sociedade dos Jovens

Comemorações de outubro




As comemorações são muitas, mas poucas são lembradas. Algumas caem no esquecimento e outras são emersas por fatores meramente econômicos.

            Neste mês de outubro o Brasil celebra duas datas importantes, reconhecidas e oficializadas para o dia 12 (6ª feira). Trata-se do dia da criança e do dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. No entanto, ainda há outra comemoração neste dia, sempre esquecido, mas que deveria ser ao menos um pouco, lembrado no meio estudantil. É o dia do Descobrimento da América. Mas o dia da criança, oficialmente, é comemorado em várias datas pelo mundo. Em Portugal e vários outros países o dia é comemorado em 1 de junho, enquanto outra grande maioria comemora no dia 20 de novembro, que é o Dia Mundial da Criança, data que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece como Dia Universal das Crianças por ser justamente a data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos da Crianças. Já na China e no Japão as crianças comemoram seu dia no dia 5 de maio.
            O dia 12 de outubro foi determinado como Dia da Criança na década de 1920, quando os deputados e o então presidente da república Arthur Bernardes assinaram o decreto de nº 4867, de 5 de novembro de 1924, só que a data não pegou, ou seja, não vinha sendo comemorada oficialmente. Somente em 1960, com uma intervenção comercial, a data começou a ser respeitada e comemorada. Foi quando a fábrica de brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson promoveram a “Semana do Bebê Robusto” para aumentar suas vendas, e deu certo. A data então se tornou numa estratégia para se vender brinquedos que são dados como presentes às crianças.
            Quanto às comemorações do dia de Nossa Senhora as festividades e manifestações de fé são muitas, visto o grande número de católicos no Brasil, que tem sua maior concentração na cidade de Aparecida do Norte, onde está o Santuário Nacional de Aparecida, para onde se dirigem milhares de fiéis a fim de demonstrarem suas crenças e apresentarem suas orações e agradecimentos de preces atendidas.
            Nesta semana acontece uma ferrenha disputa entre os vendedores de brinquedos, que pretendem abocanhar os lucros das vendas, apresentando brinquedos dos mais variados tipos e valores. Oferecem uma grande e enorme variedade de brinquedos ou “coisas” que se pode dar de presente a uma criança, começando pelos eletrônicos.  É sempre constatado o grande volume de vendas de celulares nestes dias, já que são objetos bem normais nas mãos de crianças, e de crianças pequenas mesmo. Isso porque são encontradas muitas vantagens em armar as crianças com essa poderosa ferramenta. O próprio celular também é um brinquedo.
            Neste mês de outubro comemora-se ainda o dia do Professor (15), o dia da Democracia (25) e o dia Nacional do Livro (29).

Problemas de uma sociedade





Todos sabem onde se concentra a culpa de a sociedade estar vivendo esses momentos de insegurança e intranquilidade.

            A sociedade atual traz consigo uma preocupação muito importante, e que precisaria ser analisada com tamanha responsabilidade, como se analisa os problemas do câncer, da prostituição infantil, das drogas e da segurança pública. É a preocupação com o caos que surgirá, caso a sociedade continue deixando fluir a falência da “família”, da estrutura familiar e da importância da família na condução dos destinos das pessoas que vivem nesse grupo, que também vem perdendo a hegemonia, que é a sociedade.
            Os culpados são todos que assistem passivamente e coniventes com a situação sempre voltada para sua autossatisfação e proveito, sem perceberem que estão promovendo o surgimento de uma situação fora de controle, começando pela segurança, educação e relacionamento com as crianças, jovens e adolescentes, que aparecem no contexto social com sequelas gravíssimas de comportamento. Todos têm sua parcela de culpa pela insuficiente educação repassada aos jovens que têm má formação de caráter, de personalidade e da própria índole, abalada pelo modo de como são criados.
            É a questão dos “limites sociais” que precisam ser impostos, cobrados e implantados, e que na realidade são apenas usados para outros fins, principalmente porque hoje, já não podem mais se inspirarem nos exemplos deixados pelos mais idosos. Começando pela família, onde dentre eles próprios, não se age mais pelo amor, carinho e compreensão, mas sim para proveito e vantagem de alguma coisa, sobressaindo aí os dons como esperteza e astúcia, ao invés de meiguice e solidariedade.
           

Pode-se já sentir os problemas primários dessa desvirtualização de conduta vendo e assistindo fatos inconcebíveis até mesmo próximos de seu rol de amizades, na sua rua, escola ou cidade, não bastando mais ter que ligar a televisão para ver os problemas lá nas grandes metrópoles, pois já chegaram aqui e podem ser vistos nos noticiários locais. O caos social já aparece na insegurança das pessoas que se isolam e se aprisionam em suas próprias casas para se protegerem. O caos também está na preocupação dos pais que não conseguem dormir direito imaginando fatos inusitados que podem ocorrer com os filhos que saíram para alguma festa, mesmo em horários mais cedo. O caos está claro na formação de quadrilhas de assaltantes formadas por jovens de classe média que agem apenas pelo prazer, ou pelo estrupo cometido sem nenhuma consideração, ou assassinatos insanos sem justificativas – é lógico que nenhum tem.

            E a única conclusão que chegam, que não se sabe o que passa nas cabeças dessas pessoas que se envolvem em atos de violência ou prejudiciais de alguma forma à qualquer pessoa que seja. Mesmo assim isso tudo é visto no patamar maior da classe que mais está exposta, a classe de políticos, que sabiamente, não cometem estrupos ou outras violências, mas que na verdade, abrem precedentes ao servirem de exemplos para a sociedade, principalmente, para os jovens.

           

Reflexos Familiares


Pais inteligentes conseguem, através do raciocínio, concluir que o comportamento do filho em casa é provavelmente melhor do que na escola. E o porquê.

            A base principal na vida de uma pessoa é a educação que ela assimila no meio familiar, quando realmente ela tem uma família que lhe possa repassar educação através de atos e atitudes que sirvam como exemplos.
            Mesmo assim há o consenso de que um bom resultado pode surgir se a pessoa tiver uma boa índole que influencie na formação de sua personalidade e de seu caráter, mesmo ela fazendo parte de uma família desestruturada.
            Como estamos vivendo numa sociedade onde a família tem sua definição contestada, tomando rumos diferentes da tradicional, é preciso uma mudança de conceitos: família é um agrupamento de pessoas que vive em função das condições sócio econômicas e de relacionamentos, podendo ser constituída de maneiras diversas e até de forma inusitadas (de uma forma da qual menos esperamos que aconteça).
            Mas, ainda assim, o conceito de educação não muda e deve ser sempre cobrado como tal, independentemente do tipo de família a que pertença. A escola é um reflexo de casa, e o comportamento também, pois, se são educados em casa, ensinados a serem respeitosos, também os serão nas salas de aula.
            Todavia, não se pode esperar que isto seja uma constante em todas situações, pois, às vezes de uma família cheia de problemas pode surgir uma pessoa boníssima, honesta e correta, enquanto que, de uma família estruturalmente correta, venha surgir uma pessoa problemática.
            O importante é que cada pessoa tenha um suporte familiar suficiente para poder superar todas as dificuldades que encontrará pela frente, dificuldades estas trazidas pela sociedade que impõe uma rígida regra de comportamento: para se dar bem na sociedade de hoje é preciso que a pessoa se esforce o suficiente para sobressair, para ser melhor do que muitos outros que disputam um lugar ao sol. Um posicionamento digno e lucrativo é o que todos desejam. Ter dinheiro para ter tranquilidade e mordomias.
            Mesmo achando que na sociedade em que vivemos há pessoas de bom senso, ainda assim vale mais o dinheiro, e, quanto mais, melhor

Analfabetos: sim senhor!


     
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constata que um em cada 10 brasileiros é analfabeto, o que equivale a 14,1 milhões da população que está na faixa etária de 15 anos de idade ou mais. A pesquisa mostra ainda que cerca de dois terços dessas pessoas estão nas cidades, moram nas cidades, nos centros urbanos, e não nas zonas rurais como muitos pensam. Analisando a questão em nosso estado, temos na região Metropolitana de Belo Horizonte cerca de 182 mil excluídos do mundo das letras e 95% deles vivem nos centros urbanos.
Conforme apuração jornalística do Jornal Estado de Minas, “as mãos que embalam os filhos, cozinham do bom e do melhor e pagam impostos em dia ainda são incapazes de assinar o próprio nome, escrever bilhetes ou preencher um documento”. Muitas pessoas com esse perfil têm os olhos atentos aos noticiários da tevê, olham sempre atentas às placas de sinalização nas ruas e até mesmo aos símbolos que emitem mensagens instrucionais, entendendo-os, porém, sem conseguirem ler um livro, entrevistas em jornais ou até mesmo uma carta pessoal. O que a pesquisa mostra é que essa realidade não é realidade somente nos cantos do país ou nas zonas rurais do estado, mas está presente, de forma real, bem próxima daqueles que são letrados, que são cultos e estudados. Para se ter noção dessa realidade basta que se olhe ao redor e procure enxergar, sem usar de uma imaginação ilusória, mas de uma visão comum e clara: muitas pessoas analfabetas convivem em seu ambiente de trabalho, próximas ao seu local de moradia. Basta querer vê-las.
Um dos focos principais onde se pode encontrar pessoas nessa situação, é o grupo de pessoas que trabalham como servidores auxiliares. Esse grupo de pessoas é campeão nos índices de analfabetismo e se concentra justamente nos centros urbanos, onde vivem servindo as pessoas que são culturalmente avançadas, estudadas, e que, por ocasião das circunstâncias, preferem não enxergar, ou melhor, preferem não ajudar. Pode-se equiparar essa atitude, que não é política, como política, até que se passe a analisar como tal. É a mesma prerrogativa adotada pelos políticos com relação à situação do nordeste do país, ou ao nordeste de muitos estados brasileiros, como em Minas, onde existe uma população vivendo precariamente, pobre, analfabeta e em condições sub-humanas.
Não bastaria ter consciência da situação, mesmo com a comprovação idônea de pesquisas promovidas por vários órgãos, e até mesmo por órgãos governamentais, de que ainda há dentre os componentes de uma sociedade, de uma comunidade, pessoas que têm suas visões vedadas para as principais informações e conquistas do ser humano: as informações através da linguagem verbal, forma escrita que se vê esparramada por todos os graus de competência, por todos os níveis intelectuais e em todos ambientes frequentados por pessoas que vivem em sociedade, e que por serem analfabetas, vivem de forma excluídas.
Essas pessoas são privadas de conhecerem uma sala de aula, os adventos que são concebidos dentro de um ambiente cultural e todo conhecimento que lá são consumados, consumidos e transmitidos entre os componentes docentes e discentes. É um direito que todos têm, e que todos devem promover... a educação.

A doença do ensino e o remédio...





O professor da escola pública vive uma tremenda intranquilidade por conhecer o problema social existente, que prejudica de forma drástica o ensino e a aprendizagem, e que sobressai nas entrelinhas citadas por políticos e demagogos. Não é só o baixo poder de renda da população que desmorona toda tentativa de se conseguir uma sociedade melhor. Temos o problema enfrentado pelo professor que encara os baixos salários e é obrigado a fazer o antipedagógico trabalho extra, juntamente com as tarefas domésticas executadas por muitos, principalmente as mulheres, que exercem ainda os mais diversos tipos de “bicos” com o objetivo de complementar sua renda.

                Juntando-se aos problemas carregados pelos alunos que levam para as salas de aula anomalias de comportamento, o professor tem como agravante a excessiva carga horária, pois o trabalho do professor não se resume na sala de aula. Em casa, ele tem a tarefa de corrigir os deveres, os testes e provas, bem como realizar o planejamento de suas aulas, elaboração de testes e provas, além de ter que se manter atualizado com os estudos e assuntos do cotidiano, que certamente precisará repassar aos alunos.

Com isso a categoria dos professores está decadente em função da desvalorização presente e evidente em quase todos os governos, e, junto das doenças do corpo, vê surgir também as doenças emocionais, em consequência do descaso com a profissão. Em contrapartida, outro setor da sociedade que deveria promover a importância do professor, o crucifica. São os familiares que, em toda e qualquer situação, dão prioridade e maior valor ao posicionamento dos alunos, logicamente, por serem seus filhos, sem perceberem que acentuam ainda mais os problemas do professor, que mesmo estando preparado, ainda assim sofre os abalos emocionais decorrentes da impossibilidade de solucionar os casos que envolvem seus alunos.

O professor sabe onde estão os problemas e de onde surgem. Justamente na falta de condições de trabalho, no empobrecimento geral da população que gera alunos problemáticos, vítimas do desajuste familiar, do meio social violento e das carências que as situações propiciam, que sem dúvida vêm prejudicar a atuação do professor em sala de aula, impedindo melhores resultados.

No extremo das concepções e formulação de solução, somente uma saída viável capaz de refazer a contextualização de uma sala de aula em condições de se trabalhar com eficácia: remanejar das salas normais os alunos que definitivamente não têm condições de desenvolvimento e convivência num ambiente escolar sadio e respeitoso, onde se deve respirar conhecimento, cortesia, caráter e visualização de futuro. Esses alunos que apresentam comportamento incompatível com a normalidade devem ser remanejados das classes normais, para classes especiais, onde teriam um ensino de forma também especial, disciplinar e pedagógico, com professores também especiais, preparados especificamente para esse tipo de situação.

O estado gasta um absurdo para manter os remanejados da sociedade em prisões, casas de detenção e outras organizações corretivas. Então pode o estado gastar também com os alunos remanejados das salas normais, para salas especiais, favorecendo sua recuperação para a cidadania. Todos sabem que a sociedade remaneja seus cidadãos problemáticos, que os grupos sociais, as associações, os grupos partidários e as próprias famílias também remanejam os indivíduos que apresentam problemas comportamentais. Há remanejamentos sim, em todos os setores da sociedade, menos nas escolas, onde o professor é obrigado a se deparar com alunos que o ameaçam, que o tratam com o maior desprezo, que vão à escola para tudo, menos para estudar e respeitar o professor, prejudicando diretamente os colegas.

                Para o setor educacional de um estado ou município que prega veementemente a “inclusão”, visualiza-se esta opção como única, para se conseguir vencer essa barreira e sanar esse problema, ou, pelo menos, amenizar o problema para que o professor consiga dar uma boa aula para os alunos interessados e uma aula especial para os alunos anti-sociais, para que esses possam com maior êxito, se prepararem e sentirem-se inclusos na sociedade.

Portanto, um salário decente, certamente não seria a solução, seria apenas uma gratificação pelos tantos problemas que os professores têm de encarar. A solução está em propiciar ao professor condições de ministrar suas aulas como “educador”, e não como “dominador”, como está sendo “obrigado” a se posicionar hoje. (presenciando uma aula pessoalmente se comprovará essa afirmativa). Muitos benefícios advirão da aplicação de um projeto assim. Piaget e Freire com certeza não previam esse tipo de problema em suas práticas pedagógicas teóricas com projeção para nosso tempo.