A Sociedade dos Jovens

A Sociedade dos Jovens

Devaneios sobre sonhos e desejos

Sonhos não são apenas para crianças. Adultos e idosos também sonham. Usam da metáfora de sonhar e esperam a concretização de uma vontade, que é chamada de sonho, por ser julgado, muitas vezes, impossível. Muitos conseguem concretizar essas vontades dentro do próprio sonho. Sonhar com a concretização de alguma coisa não é um sonho. Sonho é quando se sente participar de alguma situação, num sonho que se lembra quando se acorda. Sonhar com a concretização de uma coisa não é sonho, é um “ensejo”, uma vontade de que um desejo se realize.

A criança nasce, cresce e mesmo adulta avalia alguns detalhes de sua vida. Começa a enumerar seus sonhos impossíveis ou inalcançáveis, e, se tratando de uma pessoa simples do interior, como do interior de Minas, a primeira coisa que vem à tona é o mar, que mesmo não estando tão longe só é conhecido pelas descrições de quem o conhece e pelas vislumbrantes aparições em imagens fotográficas e filmadas. Ir a uma praia e conhecer o mar de perto é sonho de todos.

Ainda há um desejo que pode ser dos mais difíceis: conhecer a neve, pisar e sentir a neve cair sobre sua cabeça e imaginar como é sentir o seu frio congelador. Através de descrições contadas já é mais difícil conhecer detalhes sobre a neve, ainda mais porque dentre as pessoas interioranas quase nenhuma teve o privilégio e oportunidade de ir até as terras onde ocorrem tal fenômeno. Então sobre a neve, conhece-se apenas mesmo por fotos e filmes, quando se desperta a curiosidade de como se viver num lugar desses.

Em questão de curiosidade, tem-se a mais incomodante, que é o sonho de andar de avião. Isso porque em qualquer lugar que se more pode ser visto um avião passando no céu, nas suas rotas direcionadas. É um sonho que na realidade está bem perto e próximo de ser realizado, mas, a grande maioria não tem acesso e continua sonhando, criando situações imaginativas com base no que já conhecem pelos filmes e reportagens na televisão.

Mesmo não podendo se concretizar os desejos, se sonha com eles, mesmo estando acordado. Porém para um ensejo há um limite, enquanto que, para os verdadeiros sonhos, o limite é a imaginação, que, de onde vem, não se sabe, mas existe.

A LEIdtURA

Nem na lei dura está sendo possível conquistar os jovens para que sejam adeptos da leitura.

Há quem culpe as escolas de não saberem levar os alunos a experimentar o importante prazer da leitura. Para os mais românticos: o saboroso sabor da degustação literária. As escolas, por sua vez, culpam os pais da nova geração que não têm o hábito de ler para os filhos, como faziam alguns, antigamente. Há ainda o lamentável fato de um grande número de escolas estarem ainda sem bibliotecas. Mesmo tendo sua biblioteca, as escolas não conseguem meios e formas de induzir os alunos a praticarem a leitura.

Quando a escola e o lar não dispõem de livros e de pessoas como modelo de inspiração para o ato da leitura, cria-se uma barreira que inviabiliza o desenvolvimento de hábitos saudáveis, em todos sentidos. Um lar onde a criança apenas se preocupa em comer, beber e assistir televisão certamente conterá apenas conteúdos evasivos, que não lhes servirão de suporte e base para uma plena cidadania. Da mesma forma uma escola onde se propõe apenas o ritual normal e corriqueiro do ensino/aprendizagem regido pelas anticriativas normas teóricas e regimentos retrógrados, mantidos na rigidez e inflexibilidade, também irá criar barreiras intransponíveis para o sucesso, para a vivência como cidadão padrão dentro da comunidade.

Pode-se apurar então o quanto deficiente é o gosto pela leitura. O quanto negativo é essa posição da criança e do jovem em relação ao mundo, em relação à sociedade e ao seu próprio desenvolvimento intelectual. Quanto é inexpressivo a atuação de quem poderia de fato ajudar, fomentando, proporcionando e apoiando com diretrizes que levem as crianças e jovens ao hábito da leitura.

Não adianta os pais saírem pela tangente, repassando a responsabilidade para outras pessoas ou outras entidades. Os pais, indiferentemente de qualquer situação, são as figuras mais importantes na conduta da criança e jovens a uma participação lucrativa na exploração da leitura. Se a criança nunca viu os pais com um livro na mão, ou jamais viu os pais lendo um jornal ou revista, provavelmente nunca irá praticar tal ato. Isso sem contar que é preciso que nos lares existam em algum lugar, livros, jornais e revistas para serem lidos.

A mesma coisa se diz de uma escola que não tenha uma biblioteca adequada, ou que não estimula seu uso. É sabido que, infelizmente, alunos por si só não conseguem concentração suficiente para praticar a leitura no ambiente de uma biblioteca, de forma concentrada, quieto e em silêncio. As crianças e jovens de hoje já não conseguem mais este êxtase, que exige concentração.

A família é que tem a responsabilidade de influenciar seus membros para o gosto pela leitura, para soltar a imaginação e criar bons hábitos. Ler é o melhor deles.

A qualidade do professor brasileiro


Não bastasse o conhecido problema decorrente da falta de interesse por parte dos alunos, que estão atualmente sem uma visão de futuro promissora, agindo de forma irresponsável, temos ainda uma acentuada crise na educação brasileira decorrente de diversos problemas, e um deles é o despreparo do professor que resulta diretamente na qualidade do ensino.
Em recente pesquisa realizada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura), com a finalidade de traçar o perfil do professor brasileiro das escolas públicas e privadas, foi investigada situação em todos os 27 estados da federação e contou com a participação efetiva de 5.000 professores, que foram entrevistados, e desses 5.000 professores, aproximadamente 1.600 profissionais se consideram e se declararam pobres.
Por aí se pôde colocar a questão dos baixos salários como principal e evidente  empecilho para que o professor possa ter devido acesso às novas tecnologias e às várias formas de cultura que lhe favoreçam um melhor desempenho pedagógico. Outros dados também foram anunciados e revelados pela pesquisa da Unesco, como:  que 45% dos professores entrevistados jamais conheceram um museu: que 40% nunca assistiu a uma peça teatral e 25% jamais foi ao cinema. Um dos piores dados revelados é de que aproximadamente 60% dos professores não têm acesso à internet e não possui correio eletrônico, mesmo considerando o progresso tecnológico contemporâneo que se apresenta em pleno vapor. Dentre os entrevistados, quase em sua totalidade, a opção de lazer disponível e utilizado continua sendo a televisão.
Outro dado interessante revelado na pesquisa, e que não é surpreendente, é o número esmagador de mulheres que atuam na área da educação, em relação aos homens. A pesquisa mostrou que são 81,5% de mulheres e 18,5% de homens. No quesito salário, a pesquisa mostrou que os salários variam de dois a dez salários mínimos, e que mais de 65% dos professores estão na faixa de menor poder aquisitivo em função do baixo salário.
            Todos esses resultados demonstram a falsa valorização da profissão do professor, que infelizmente, vem sofrendo e sendo taxado como responsável pela declinação da educação no Brasil, coisa que sabemos, acontece em virtude de vários fatores negativos existentes no sistema, e incoerentemente, como parte da nossa própria cultura.

Escola e Polícia - Juntos

A escola já não possui mais autoridade e competência para dominar situações promovidas por certos tipos de alunos, e por isso, recorre à polícia.

Jornais e televisão exibem constantemente reportagens mostrando que as escolas estão tendo sérios problemas quanto ao relacionamento professor/aluno, que vêm sendo observados através de registros policiais, porque alunos estão praticando atos de agressividade contra os professores, e isto é uma realidade de âmbito geral, estando acontecendo nas escolas do mundo todo e também nos lares, com registro de muitas ocorrências de agressividade por parte de filhos contra pais, e lógico, também inversamente.

Também pela televisão, são exibidos programas especiais sobre o escritor Paulo Freire, que deixou como legado, uma vasta literatura instrutiva de como ensinar/alfabetizar crianças e adultos, em projetos que foram efetivamente colocados em prática no nordeste brasileiro, com êxito, quando foram alfabetizados trezentos alunos em apenas quarenta e cinco dias.

Vejam bem que são duas questões, que, com o passar do tempo se tornam, inevitavelmente, em premissas. Isso porque, se tratando das teorias pedagógicas de Freire, vemos que a prática de seus projetos aplicados hoje nas escolas periféricas das capitais, ou mesmo no interior, infelizmente não teria êxito, porque existe uma coisa que é primordial para se conseguir ensinar e aprender. É o interesse, ou objetivo, que nada mais é que o próprio impulso e estímulo para almejar o conhecimento e a sabedoria. Hoje não existe este “interesse” por parte dos alunos – com exceções, é claro – que os levam a ir à escola, se manterem sentados, cuidadosos com seus materiais escolares e atentos à fala dos professores e à escrita exposta na lousa. Apesar de Paulo Freire ser atual, contextualizado e moderno, sua experiência leva a ensinar pessoas simples, moradores de lugares ermos, aonde esse “interesse” chega a ser grande, a ser importante e supostamente dominador das mentes, no sentido de se preocuparem em estudar, em aprender, em não ser mais um analfabeto, um escravo dos didatas.

Voltando aos alunos agressivos tem-se que considerar também, além da agressividade física, a agressividade comportamental, que mesmo amortizadas por teorias, devem ser verificadas e classificadas. Trata-se da agressividade dos alunos contra as normas, regras, conceitos e preceitos estipulados para se desenvolver um ambiente escolar. Os alunos agridem também o professor quando o interpelam durante as aulas usando de termos e ações desrespeitosas, intimidadoras e constrangedoras. Fazem questão de usarem seus mp3 com fone de ouvido, realizarem ligações telefônicas pelos celulares, além de em muitos casos, não escreverem nada e ainda atrapalharem colegas que estão interessados em aprender. Muitos alunos atrevidos e irresponsáveis costumam desafiar os professores, insultando-os, enquanto que o professor tem que aguentar e suportar a pressão, para não ter que usar o próprio apagador – sua ferramenta de trabalho – como arma.

Sobre as reportagens na televisão, as escolas estão agora tendo que recorrer à ajuda da polícia para dominar esses maus alunos, enquanto o projeto de Freire roda o mundo e tenta, pelo menos com os interessados, realizar a tarefa de ensinar, para que possam melhorar de vida, para que possam ser cidadãos...

Perda do autocontrole - fraqueza - tristeza

É triste demais quando uma pessoa
não tem domínio sobre o
autocontrole e deixa-se levar
pelas drogas.

Infelizmente estamos atravessando hoje uma etapa duríssima para o ensino e para os professores, sem mencionar os problemas decorrentes de lutas de classe. Trata-se do indiscriminado uso de drogas pelos estudantes.
Por vezes a sociedade tem à frente os problemas envolvendo o uso da droga denominada “Crack”, que parece, vem sendo usada por grande número de jovens estudantes, causando muito descontentamento para a família e para os próprios colegas amigos que vêem o viciado roubar para aliviar o terrível desejo de cheirar essa droga.
O Crack é composto pelo pó da cocaína (cloridrato de cocaína), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, resultando em pequeninos grãos que são queimados, sendo inalada sua fumaça. O crack é mais barato que a cocaína, porém seu efeito é muito rápido, e exige que o usuário cheire mais vezes.
Com isso os viciados precisam dispor de muito dinheiro para a compra da droga, e como muitos deles, pertencentes à classe média-baixa, não possuem o dinheiro suficiente, então são obrigados a roubar. Começam por vender tudo de valor que conseguem em suas casas, levando a família ao desespero, sem saber como solucionar um problema tão grave, pois, após dispor de tudo que puder em casa, o viciado começa a roubar em outros locais. Este fato ligado ao grande aumento de furtos e pequenos roubos justifica cobrança à sociedade de uma postura de maior vigilância, de maior participação na educação dos jovens, principalmente como prevenção, para se evitar que esse mal se alastre com tanta velocidade como está.
Nas escolas, mesmo aqui do interior, já se verificam muitas ocorrências com alunos envolvidos com o uso do Crack. Os pais já desolados e sem condições de dominar os filhos drogados estão procurando as escolas para conseguir ajuda, apoio e orientações, porém, até mesmo a escola está despreparada para combater essa nova “peste” que assola todos os meios sociais, alterando o caráter comportamental de milhões de jovens.
São muitos os efeitos que traduzem características que possam ser focadas para se conhecer e saber se uma pessoa está fazendo uso do Crack: o primeiro e principal sinal e a sua constante procura por dinheiro para comprar a droga. A pessoa irá sempre pedir dinheiro aos pais, que após não satisfazer, irão roubar e vender todos pertences de valor que puder. Além disso pode se notar num usuário do Crack a aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação das pupilas, suor intenso e tremor muscular, além de uma indiferença à dor e ao cansaço.
Portanto é importante que fiquem todos pais atentos ao comportamento dos filhos, pois o vício do Crack é adquirido em poucas vezes de uso, mas para ser eliminado, são gastos meses de trabalho, acompanhamento e forte tratamento com especialistas. A prevenção deve ter início no lar, em casa, pois na escola, os jovens estão disponíveis para o aprendizado, para o ensino pedagógico. Disciplina e educação comportamental são tarefas dos pais, e não da escola. Portanto, que não se cobre da escola a solução para o problema de combate ao uso de drogas, pois ela poderá tão somente e apenas, ajudar.